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MIELOENCEFALITE PROTOZOÁRIA EQUINA (EPM ou MEP)

Na década de 1960 foi descrita uma mieloencefalite causada por protozoários em eqüinos nas Américas. O protozoário foi primeiramente descrito em 1974 no sistema nervoso central de eqüinos com EPM e se pensou tratar‐se de Toxoplasma gondii.

Em 1976, a estrutura e as características de coloração sugeriram ao pesquisador J.P. Dubey que se tratava de parasitas do gênero Sarcocistis. Já em 1991, o protozoário isolado da medula de animal com sintomatologia nervosa foi cultivado in vitro e denominado Sarcocystis neurona.

A partir de 1995, levanta‐se uma discussão sobre a identidade de dois tipos de parasita, S. neurona e S. falcatula, os quais apresentavam reação cruzada aos testes sorológicos.

De fato, apresentaram 99% de identidade no seu DNA e em 1999 Dubey sugere reorganização taxonômica. O desenvolvimento de testes de diagnóstico levou à descoberta que a EPM é a principal causa de doenças neurológicas nos eqüinos.

Ilustração científica EPM

Ciclo Biológico

O Laboratório Paddock deu importante contribuição científica ao estudo da EPM ao publicar um levantamento sorológico no JAVMA (1999) que detectou 36% de animais positivos para S. neurona.

Isto indicou que existe Sarcocystis neurona no Brasil e a alta prevalência de anticorpos indica pesada contaminação ambiental. Até então não se conhecia o hospedeiro definitivo no Brasil.

Em 2000, a equipe do Paddock, juntamente com a USP e o USDA, descreveram que os gambás (Didelphis marsupialis e Didelphis albiventris) eram os hospedeiros definitivos no Brasil, sendo o eqüino um hospedeiro errático.

Sinais Clínicos

A EPM mascara qualquer outra doença neurológica. A sintomatologia vai desde leve claudicação ou atrofia discreta até sinais neurológicos agudos e graves.

Sinais moderados como incoordenação, atrofia evidente, hemiplegia e paralisias faciais são os quadros mais freqüentes, mas a evolução é imprevisível e depende da lesão causada pelo parasita no sistema nervoso central.

  • Incoordenação (ataxia);
  • Atrofia muscular evidente;
  • Hemiplegia e paralisias faciais.

Diagnóstico Pós-Mortem

Lesões Macroscópicas: Podem ser evidentes como hemorragias locais, amolecimento e alteração na coloração dos tecidos nervosos. Podem afetar a substância branca ou cinzenta, sendo mais comum na medula espinal.

Lesões Microscópicas: Ao exame histopatológico ou de imunohistoquímica, podemos observar diversas formas de desenvolvimento do parasita no tecido nervoso. Ao redor das lesões há processo inflamatório intenso (meningite).

Diagnóstico Ante-Mortem

Há vários tipos de testes disponíveis, mas há limitações que devem ser bem compreendidas. No Paddock, durante mais de 10 anos, encaminhamos mais de 1000 amostras para análise nos EUA, a maioria submetida ao teste de Western Blot.

Descobrimos que a análise do fluido cerebroespinal nem sempre fornecia um resultado positivo seguro. Na busca incessante por novas tecnologias, pudemos desenvolver no Brasil um teste ELISA altamente específico.

Este teste apresenta 83% de sensibilidade e 100% de especificidade. Ele permite monitorar a infecção: se o título aumenta, a infecção está ativa; se diminui, o tratamento está surtindo efeito ou o animal está debelando a infecção.